18 de fev. de 2010

À meia noite os sinos tocam
a terra treme
e a lua cheia brilha
teu uivo ao longe é tão encantador
faz-me sentir segura aqui em teu refúgio
meu lobo indomado
insaciável de amor
meu lobo de pelugem cinza e olhos vermelhos
só podia ser tua
só podia ser assim.

3 de fev. de 2010

Meu olhar se perde em sonhos
minha mão se perde em versos
tudo o que tenho é pouco
e não posso ter o que quero
minha voz se perde em promessas
coisas que não podem ser cumpridas
tento mais uma vez
depois desisto e me entrego ao incerto.
Abismos não me saem da cabeça
abismos, penhascos, cordas, incertezas
depreciando a razão
desfazendo os sorrisos
destruindo tudo o que há de bom
perdendo tudo o que é preciso.

2 de fev. de 2010

Abismos diferem-se de solidão
abismos são longos caminhos pro chão
chão duro, frio, sem nenhuma vida
onde habitam a tristeza e eu com minhas feridas
abismos são bons lugares pra se morar
vou me mudar pro meu
ninguém vai poder me tirar de lá
mas é meio difícil de conseguir se jogar
são tantas cordas que me amarram aqui em cima
não consigo desatar os nós
só consigo pensar em nós
deixo que as cordas me segurem
elas machucam, deixam marcas
mas não me mantenho só
não tenho mais forças
que elas rebentem
que eu caia no chão
ou é isso ou me enterro viva
pois ninguém mais pode possuir minha vida.

28 de jan. de 2010

A lua dança sobre a minha cabeça
reflete a luz do sol na minha janela
me convida a sair de casa
a rua deve de estar tão bela
madrugada fria, calada
não ouço nada, nem sei se estou acordada
parece tudo um sonho, tudo irreal
sigo vagando o rumo do nada
a lua ilumina meus passos
faz da minha sombra fiel companheira
e de minhas desgraças apenas brincadeiras.

21 de jan. de 2010

Liberta a insanidade do calabouço trancado
deixa que dance em seus sonhos
que dos sonhos abra as portas
tome conta da mente
não vive mais como antes
não pensa mais com clareza
vomita palavras indecifráveis
distorce todas as faces vistas
e todas as frases ouvidas
o coração palpita rápido
a face, lívida e gélida descora
delírios são sua memória
e a morte sua nova paixão
conclui o desfecho previsto
retorna a insanidade ao caixão

5 de jan. de 2010

Talvez tenha se passado o tempo da mente
e se instalado o tempo do corpo
o tempo da morte está dormente
e o da infância não mais possuo
assim como estava não via os outros
agora me enche de luz te ver sorrir
sorri pra mim que o tempo da paz está instalado
as máquinas pararam
agora o silêncio reina aqui dentro
á qualquer ruído teu me sobressalto
já moras em meu peito
e nossas vozes são a única coisa que desejo ouvir
acabou a guerra
lidera o coração

31 de dez. de 2009

Ela embrenhou-se em meio ás árvores que cercavam o castelo, queria vê-lo uma última vez, antes que fosse embora morrer sozinha e longe, não notou que a viam. Na sua inocência pôs um vestido claro que contrastava com o verde escuro das grandes folhas. Nada podiam fazer para tirá-la dali, e pedir seria pior, ela gritaria, sempre foi tão acanhada com estranhos... mas dentro do castelo ela se transformava, nos bailes era a mais cortejada de tão bela e radiante que ficava, aquelas pedras brilhavam com o seu sorriso e ecoavam sua voz como doce melodia. Não poderia ir embora assim, sem se despedir, ali estava sua vida, toda sua energia e seu amor, longe dele ela emudeceria, definharia e chegaria ao fim. Como podem me privar disso? Ela se questionava, mas sabia que eles tinham razão, que ali não seria mais seguro para ela, indefesa e imatura. Deveria ir com eles para o continente, viver naquele pequeno e calmo chalé, se é que sobreviveria á longa viagem. Porquê tão longe? Porquê não poderiam voltar nem mesmo nas férias? Mal ela sabia no que seu lindo castelo se transformaria, a mais segura prisão do mundo, era o que diziam. Rodeado de água e longe de qualquer outro pedaço de terra, ninguém conseguiria fugir dali, seu lar...

27 de dez. de 2009

De pedra, mesmo que chore
de pedra, mesmo que sofra
de pedra, mesmo que dure
de pedra, agora e sempre
pois nunca mais irá amar.

3 de dez. de 2009

acende o cheiro
apaga a força
se entrega toda
ao novo sabor

desperta a vida
e afasta a morte
a espera lenta
do novo horror

razão falha
imaginação voa
é o prelúdio
de um novo amor

dúvida cega
certeza cerca
o triste fim
e a nova dor