7 de dez. de 2010

O cheiro da dor

Eu sinto o cheiro da minha dor
essa dor que se entranha em meu corpo
definha meu coração
corrói minhas veias
apodrece minha mente,
e o seu cheiro é bom
é o mesmo da infância
de quando eu ficava sozinha
serena e calma sentada
construindo sonhos,
essa dor que dilacera meu peito
faz do seu perfume um bálsamo
que cura as feridas por ela causadas
que lembra que um dia não tive medo de sonhar
e de pensar que posso ser feliz.
Quarto esferas cintilantes vão guiando o meu olhar
quatro destinos diferentes seguirão sem me notar
quatro cores e seus tons vão colorir o derradeiro dia
quatro bocas falam coisas que não consigo escutar
quatro peças deste jogo vão cair ao amanhecer
e quem permanecer, com as quatro portas abertas, irá atravessar para o outro lado
sem medo vão brilhar os quatro sóis
e cada qual com seus quatro raios vai aquecer
á cada quatro nuvens vai chover
á noite, o frio vai nos unir
de quatro em quatro vamos sorrir
e se o teu sorriso não me for suficiente
quatro espadas te atravessarão
quatro vezes trovoará
até que a lua em quarto crescente surja
para iluminar o quarto escuro em que me encontro
chorando há quatro dias a tua falta.

19 de nov. de 2010

5, 4, 3, 2, 1, pronto
o pano caiu
a cena acabou
as lágrimas derramadas nos bastidores o público não verá
o que acontecerá depois não importa mais á ninguém
porque a peça continua
é a vez dos outros mostrarem do que são capazes
fazer rir, chorar, espantar?
o público quer o resultado resultando em si
o processo não lhe importa
o sofrimento, nervosismo, suor, decadência
nada é visto de detráz das cochias
nada é sentido daquela energia
e se acaso alguém faltar
perdido na esquina mais próxima com uma garrafa de vinho vazia
o público não se importa
o público não verá
há sempre alguém para subtituir
há sempre alguém pronto para qualquer lugar tomar na cena, na peça, na vida
na sua vida.

5 de nov. de 2010

O Ônibus Escrito Fortuna

Quando o ônibus escrito fortuna apareceu na minha frente
eu não acreditei
era um daqueles Mercedes velhos
com os bancos estofados grudados de 2 em 2 lugares
não tinha a maquininha do TRI
e o cobrador era um velho amigo meu.
Quando o ônibus escrito fortuna apareceu na minha frente
eu sorri
era um dia daqueles bem quentes
o céu estava azul, com smiles amarelos
e eu sabia que iria pegar aquele ônibus
estava na parada certa, na hora certa
ele abriu a porta para mim
e eu entrei.
Quando o ônibus escrito fortuna apareceu na minha frente
eu acenei, com minhas duas mãos
afinal não é todo dia que se encontra um ônibus escrito fortuna
ele estava vazio
bem brande, espaçoso
das janelas entrava uma brisa que mexia em meus cabelos
era tão bom viajar nele
por mais que eu não soubésse qual era o destino certo
não conhecia nenhum lugar chamado fortuna
mas agora eu conheço
volto sempre lá, e me lembro
de quando o ônibus escrito fortuna apareceu na minha frente.

27 de out. de 2010

017744-0 Glória Priscila Souza Martins 87 Aprovado 22 87 - Teatro - Licenciatura

essa é a melhor sensação de toda a minha vida!!!
eu passei na prova específica de teatro da UFRGS meooo

:D

tou muito, muito, muito feliz!!!

22 de out. de 2010

Quando abri meus braços para o céu
começou a chover sangue
as nuvens se formavam á tal velocidade
que comecei a me perguntar
de onde estaria evaporando tudo aquilo
foi quando olhei para mim mesma e notei
que o fogo da paixão evaporava o sangue
de todos aqueles que não tinham o seu objeto de afeição junto á si
a vida se esvaía de nossos corpos
por um dos vários sentimentos juvenís
e caíamos sem vida encima das possas
que refletiam um céu roxo e sombrio.

7 de out. de 2010

Nosso

O teu e o meu é o desejo
o meu é o tempo,
o teu é o andar.
O teu e o meu é o beijo
o meu é o medo,
o teu é o vagar.
O teu e o meu é o momento
o meu é o eterno,
o teu é o tocar.
O teu e o meu é o vento
o meu é o perfume,
o teu é o consumar.
É no fundo do teu olhar que eu vejo
o medo de se machucar.
É no som da tua risada que eu sei
que a vida vale muito mais.
É no toque da tua mão que eu sinto
que se estou aqui, é para me entregar.
É no teu abraço forte e demorado que eu percebo
que contigo eu posso contar.

Sempre agora

Sempre que te vejo assim sorrindo
olhando pro lado, me fazendo te amar.
Sempre nesse sempre tão profundo
que sempre imaginamos, nunca vai acabar.
Sempre na magia dos momentos,
na insignificância dos tormentos,
por ao teu lado estar.
Sempre na leveza do tempo,
na percepção dos perfumes,
e dos sorrisos no olhar.

Não existe razão

Ele nasceu
no lugar errado,
Ele doeu
na hora errada,
Ele sofreu
dentre os mais alegres,
Ele caiu
na armadilha da lebre,
Ele sumiu
quando mais lhe esperavam,
Ele mergulhou
onde não havia volta,
Ele definhou
nos braços mais fortes.

Ao fundo toca:
"E quem um dia irá dizer
Que existe razão
Nas coisas feitas pelo coração?
E quem irá dizer
Que não existe razão!"